Eça é boa.

“Envelheci. Vieram as rugas escuras. A grande vegetação, que me sentia esfriar, mandou-me os seus vestidos de hera. Os corvos não voltaram: não voltaram os carrascos. Sentia em mim a antiga serenidade da natureza divina. As eflorescências, que tinham fugido de mim, deixando-me só no solo áspero, começaram a voltar, a nascer, em roda de mim, como amigas verdes e esperançosas. A natureza parecia consolar-me. Eu sentia chegar a podridão. Um dia de névoas e de ventos, deixei- me cair tristemente no chão, entre a relva e a umidade, e pus-me silenciosamente a morrer.”

Trecho de “Memórias de uma Forca”, do Eça de Queiroz. É necessário certo empenho para desenterrar esse texto – bem como acreditar em sua autoria (foi escrito quando Eça de Queiroz tinha 22 anos. Compreensível e indulgenciável) – e para não notar a inspiração sobrepujada à técnica. Característico de escritos da juventude. E eu, particularmente, gosto.


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Uma resposta to “Eça é boa.”

  1. Lucius Says:

    Eça… sem dúvida um dos maiores de nossa língua

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